Poesia

 

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Vou te seguindo em silêncio

 

Vou te seguindo em silêncio

Porque tenho inveja da distância

Entre os sonhos e meus desejos

Nesse impasse, mora minha angustia

Que cresce ao romper do crepúsculo.

 

Vou te seguindo em silêncio

Quando vejo teu olhar pousado no nada

Sinto que me esquecestes

Um frio de inverno gela minha alma

Meus pensamentos se avolumam

Meus lábios se emudecem

Sufoco meu grito.

 

Vou te seguindo em silêncio

Quando o vejo em meio aos que te cercam

Desejo secretamente me tornar um deles

Porém, sou apenas um reflexo

Nas águas paradas da saudade

Apenas uma beleza imaginada.

 

 

Vou te seguindo em silêncio

Mesmo percebendo a madrugada

Sou passageira de teus sonhos.

Nele ambiciono minha morada

Porém, o amanhecer me angustia

Não acredito ter sido tua companheira

Não habitei teu leito.

 

Vou te seguindo em silêncio

Procuro tuas palavras

Para senti-lo meu, por inteiro

Mas, à tua volta tem perfume

Da noite enluarada

Na qual não fui tua amada

Meus desejos não foram teus sonhos.

 

Vou te seguindo em silêncio

Mas um vento forte me arrebata

Em meu céu se anuncia tempestade

Todavia, em você irradia o sol

Meu interior se escurece

Desaba meu temporal.

 

Um dia, vou me tornar companheira

A estrada feita em silêncio, chegará ao fim

Vou me recolher em teu afeto

Em teus sentimentos, procurarei uma sombra

E colocarei meu alento para repousar

Em teu sonho, deixarei meus beijos

No amanhecer, estarei em teus braços.

 

Sonia Santos (novembro/2002

 

                            (Sonia Santos - Janeiro/2003)


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